Zen/Japão

Pergunta: Como está a vida religiosa no Japão?

Resposta: Já estou aqui vinte e três anos (*). Visitei o Japão apenas duas vezes. Até cem anos a-trás, os monges Zen não se casavam oficialmente, mas às vezes tinham mulheres. Depois disso foi permitido o casamento. Quer dizer, já existem cinco gerações de filhos dos casados. Então, antiga-mente na escola Soto, o mestre se sacrificava para poder criar bons discípulos. Mesmo que não co-messe, alimentava os discípulos. Com isso, apareciam excelentes discípulos. Hoje em dia, os pais, donos de templos, dão tudo para seus filhos. Aí o filho é quem continua o templo. Mesmo que o filho não queira continuar na profissão, não importa, o pai dá tudo. Isso, de certo modo, é uma decadência. Muita gente já não busca o espírito de caminho. Quando não tem mais este espírito, vira um profissional para atender às necessidades de costumes Japoneses, como funerais de família, Sutras para antepassados e tudo mais.

Os filhos de templos no Japão são todos ricos, o templo também é muito rico, com terrenos e tudo mais. Então, o que acontece? Todos trazem oferendas para Buda, mas Buda finalmente não come, somos nós que comemos. Então o filho do templo fica acostumado com isso. Quando tra-zem oferendas que não são muito importantes, dizem, “Ah, isso eu não aceito!” Com isto estão a perder o espírito de agradecimento. Tem um ditado que diz: O filho do milionário, na terceira geração, fica orgulhoso e vagabundo; na segunda geração ainda sofreu como o pai. Mas na terceira geração, já nasceu com todas aquelas condições de riquezas, empregados e tudo mais. Então para ele tudo aquilo é mais que natural. Quando se é pequeno e já se é atendido por um milhão de emprega-dos, fica-se orgulhoso e é isso que está acontecendo.

(*) Pergunta respondida em 1991, em Ouro Preto.