Samadhi

Pergunta: Há algo que eu não consigo compreender bem quanto ao samadhi. Diz-se freqüentemente: “entrar” ou “sair” do samadhi. Então, é como estado em tempo reduzido, como por exemplo durante a sentada no zazen e de outro lado, se diz dos budas e patriarcas que eles “nadam” nesse samadhi, o que dá a impressão que eles estão permanentemente nesse samadhi. Será que estamos falando da mesma coisa, ou serão duas coisas diferentes?

Resposta: Este tipo de samadhi é diferente de dhyana, “meditação”. É algo que está “atrás” do tempo e do espaço. Samadhi é, por vezes, sinônimo do satori; não é unicamente estar sentado no zazen. Quando se entra nesta experiência do samadhi, quer dizer, satori, claro que você pode viver livremente, em movimento na vida cotidiana, se bem que o vivamos de forma totalmente diferente já que se tem constantemente esta conexão com o samadhi fundamental. Então, é viver o samadhi dentro do movimento. Se você tem esta experiência dharmakaya, pode viver de forma dinâmica.

Às vezes, muitas coisas – diferentes umas das outras – se passam, e às vezes, perde-se esse contato, mas se pode sempre voltar a esse contato, voltar à origem deste samadhi, na prática do zazen. O zazen é a base. É por isso que existem tantos koans. Se você tem esta experiência de samadhi uma só vez, sempre se pode voltar a ela e assim achar de cada vez uma solução.

Existem três samadhis: samadhi – a experiência fundamental – em seguida na vida cotidiana, praticar e em seguida esquecer. É o mais difícil. Isso é todatsu (“ultrapassar”, “rejeitar”), é isto que se chama “o Buda atrás do Buda que não deixa traço algum”, que ninguém pode ver. Você se torna um homem, simplesmente. É o contrário de querer aparecer como um mestre ou um roshi com distintivos que caem do ombro. Este estado é kando, que se encontra em toda a primeira frase do “Shodoka”: “O homem tranqüilo do caminho, que não mais age”.

Leiam todos estes textos, “Sandokai”, “Hokyo zanmai”, “Shinjinmei” e leiam também o “Shobogenzo” e releiam-no também. Existem certas passagens, certas partes as quais já se pode aproveitar. A leitura se torna “física”, é como uma parte de seus corpos. É a farmácia familiar em sua cesta, você sabe muito bem em que momento utilizar tal medicamento. Está bem?