Salvar Todos os Seres

Salvar todos os seres
Tema: geral
Pergunta: No Budismo Mahayana, fala-se em salvar a todos os seres. Trata-se de um “meio habilidoso”, para ultrapassar de fato as noções de si mesmo e outros, já que é impossível, na prática, salvar a todos os seres?
Resposta: Você disse “Budismo Mahayana”, quer dizer a prática dos budas e a prática dos bodhisattvas. Em geral existem dois aspectos: o primeiro é a procura de bodhi, ir em direção ao estado de buda; você é um bodhisattva e se dirige para o estado de buda. Contudo, simultaneamente, e isto é um paradoxo, quando se faz o voto de salvar pessoas comuns, aqui se trata de uma direção para baixo. Então, deve-se ir ao mesmo tempo em direção ao alto e para baixo.

Se você pratica e entra nesse estado de jijuyu zanmai (samadhi autônomo), você não tem consciência, mas através desta prática, muitas pessoas recebem uma influência. Vir em ajuda dos outros é a grande compaixão que chamamos de maha karuna. Se você quer ajudar às pessoas, isto está muito bem, você pode fazê-lo, mas como você mesmo disse, existe forçosamente um limite que é o limite de suas possibilidades de entrar em contato com aqueles que sofrem. A característica de maha-karuna (grande compaixão) é muhen que quer dizer compaixão sem condições, compaixão que se pode consagrar sem limite, tanto de tempo quanto de espaço. Você pode fazer o bem para seus vizinhos ou seus pais, mas claro que existe um limite para tal, já que você vive na época atual com limites e você não pode agir durante dez anos, cem anos ou mil anos. Mesmo assim, para o Mahayana é necessário preencher todas as condições. Então, o que podemos fazer agora? Naturalmente, se você tem condição de fazer algo, deve fazê-lo, mas este tipo de pergunta é muito importante para a prática.

Quanto à prática: se você realmente está praticando, você não pode ter idéia do que são os méritos e bondades desta prática. Quando na sua vida sobrevêm dificuldades, problemas, como resolvê-los? Continuando com a prática. Com a prática, você entra no caminho, você se encontra com todos os budas e patriarcas, você entra em contato com aqueles do futuro ou do passado, e fazendo isto, você motiva os outros sem estar consciente disto você mesmo. Numerosos patriarcas aparecem nas histórias relatadas nos livros; fala-se em mil e setecentos, mas deve haver, no mínimo, cinco mil. Existe um número incalculável de patriarcas.

Nos dias de hoje, muitos praticam o zazen. Cristãos praticam zazen, budistas tibetanos praticam o zazen mahamudra, e isto está muito bem. Na história do budismo zen existem cinco ou sete escolas nas quais cada mestre tinha sua própria prática, sua própria história, o que contribuía ao enriquecimento do budismo zen. Por isso a prática de uma só pessoa não quer dizer nada, o que conta é como entrar em relação com tudo isto, como se sentir interiormente ligado como toda esta massa de pessoas que praticam simultaneamente a mesma coisa. Mesmo que todas as escolas se esgotassem, outras escolas teriam recolhido esta prática. Esta prática dos patriarcas que certas pessoas perderam, outras a recolhem porque a respeitam.

Como resolver esta questão de salvar todos os seres? Somente praticando. É tudo. É a grande compaixão, quando sua prática já vem em ajuda a todo mundo.