Mendigos

Pergunta: E quanto àquelas pessoas que ficam mendigando dinheiro na rua? Qual é a atitude que se deve ter ao cruzar com elas? Dar dinheiro? Que fazer?

Resposta: Que faria você em tal caso?

Questionador (seqüência da pergunta): Eu fico muito aborrecido, às vezes dou, às vezes não.

Monge Tokuda (seqüência da resposta): Eu também. Tendo eu mesmo praticado Takuhatsu, que é prática budista tradicional da mendicância, eu compreendo o ponto de vista daquele que recebe. Às vezes eu dou e imediatamente vem uma outra pessoa e eu não dou duas vezes. Está claro que ninguém quer viver na rua, que tais pessoas aspiram a uma outra condição de vida. Contudo é necessário se lembrar daquele velho ditado chinês: se você dá um peixe a uma pessoa, ele comerá uma vez, se você lhe ensinar como pescar, ele comerá toda sua vida.

Para compreender uma tal coisa, existem dois caminhos:

1. O estado do Dharma: apesar de suas condições de vida, essas pessoas continuam a viver e nós não compreendemos como.

2. O estado de consciência: se nós penetrarmos neste mundo, não compreenderemos tudo. Por isso a experiência de sesshins nas ruas de Nova Iorque é interessante. Permite a pessoas ricas que vivam tais experiências; entrar nesse mundo para tentar compreendê-lo um pouco.

A prática do Zen é importante. Como diziam os antigos mestres, “seguir um caminho corretamente, sem pensar muito sobre isto”. Naturalmente as dificuldades aparecem, mas vocês têm um bom Zen, quer dizer, a força de viver no mundo no qual estamos inseridos e quando aparecem dificuldades, estamos prontos a lhes encarar.

É a via do Bodhisattva: compreender os outros, suas situações não somente financeiras (mas se vocês julgarem necessário doar, não hesitem) e sobretudo não agir excluindo tais pessoas, nem lhes evitando. É necessário compreender que eles se encontram numa situação dependente de seus karmas, nós não lhes podemos ajudar, mesmo que o quiséssemos, porque eles não podem receber a ajuda.