Como Formar Lideranças

(parte 1 – parte 2)

Boa noite, esse tema, como formar um imperador1, é algo baseado em livros clássicos de medicina e filosofia chinesa. Gostaria de falar sobre esse tema porque vivi 25 anos aqui no Brasil, é como se fosse minha segunda terra natal, eu amo esta terra, e observando os problemas brasileiros, naturalmente comparando um pouco com o Japão, creio que tenho muitas coisas para transmitir que contribuiriam para o Brasil. Também não sou especialista em política, minha experiência é muito pequena sobre essas coisas, mas quando eu falei um pouco sobre esse assunto naquele ano de 1996, em um congresso, houve muito interesse, principalmente aqui no Ocidente, onde não se tem muita informação sobre este assunto, como formar lideranças. Então eu aceitei o convite para esta palestra na última hora. Não preparei nada e ontem comecei a juntar materiais.
Gostaria de apresentar dois livros, um livro já apresentei ano passado durante o curso de estética oriental. A estética oriental nada mais é que a medicina holística. Hoje em dia também se chama isto de Caos Medicina, é algo que se está estudando muito na Europa hoje em dia.
Já foi apresentado, mas para as pessoas que não conhecem, esse livro se chama, “A Arte da Guerra” de Sun Tzu. Tem a parte um e a parte dois, ambos traduzidos para o português. Acredito que se aproveita muita coisa deste livro, pois apesar de falar em guerra, é muito usado como estratégia, muita gente aplica essa técnica no trabalho, e tem muitos outros livros clássicos de estratégia chinesa, como livros de Confucionismo, Taoismo (Lao-Tzu) e outros filósofos chineses. Mas acho que não estão todos traduzidos. Tenho aqui outro livro que gostaria de apresentar, não sei se todos o conhecem. Esse livro atualmente está vendendo muito, essa já é a vigésima primeira edição. Também está vendendo muito aqui no Brasil. Se chama “Os sete hábitos das pessoas muito eficazes” de Steven Covey. Não serve somente para os empresários, mas para a família, ou para a vida pessoal, pois mudando o ponto de vista sobre o mundo, pode-se mudar a qualidade de nossa vida. Pode ser aplicado para a família e para os colegas. “Os sete hábitos das pessoas muito eficazes”. Eu o recomendo a todos os presentes, para lerem não apenas uma vez, mas muitas e muitas vezes, aplicando-o, vendo os resultados e continuando a ler. Vale a pena comprar o livro. E sempre usar como livro de cabeceira. Já está traduzido em outros idiomas e em português. Já saiu o segundo livro deste autor, o título é “Prioridades em primeiro lugar”, com novos detalhes, também pode comprar junto com este se está interessado e trabalhar em cima disto. O assunto é realmente como mudar nossas vidas, isso não está limitado ao oriente.
Bem, como educar, como formar o imperador2. Antigamente eram os filhos, quer dizer, os sucessores do trono, que tomavam este poder. Mas como sempre acontece, o poder todo mundo procura, mas sempre dá confusão, começa bem, mas nem todos os poderes adquiridos podem ser levados a cabo com sucesso. Para evitar esta confusão e sofrimento subsequente, tem esses estudos aplicados, esse livro, do qual estou falando hoje. “A Arte da Guerra” foi escrita em 630 D.C., mas mesmo assim, a história se repete sempre e por isto foi criado um método de estudá-la.
Por exemplo, aquele Imperador que pela primeira vez conquistou toda a China. Esse Imperador construiu a grande muralha da China, um grande monumento, quando você sai para o espaço sideral, como os astronautas, vendo a terra, o que se vê é o mar, o continente e essa grande muralha, como se fosse uma linha na terra. Algumas poucas coisas dá para ver dessa distância, geralmente trabalhos enormes. E atualmente os arqueólogos chineses desencavaram aqueles soldados com todas as equipagens no túmulo deste imperador, com milhares de soldados de terracota! Com cavalos e tudo mais. Apareceu realmente uma coisa enorme, assustadora, um monumento como as pirâmides e outras grandes obras. Não consigo entender como eles levantaram isso. Esse imperador foi muito importante, fez um grande sucesso e deu tudo muito certo, mas seu filho acabou com esta dinastia Chi. Por que? Ele foi envenenado com o poder, tornou-se odiado por aqueles ministros, bem como pelos súditos! Todos queriam agradá-lo e ele ficou totalmente cego. Tanto assim que não sabia sequer que o inimigo estava chegando na fronteira, passando a fronteira, até a capital e no momento em que o inimigo entrou no palácio, ele descobriu que nem tudo estava certo em seu império, mas finalmente nada mais pode fazer. E quando todo mundo fugiu, até aqueles que se diziam leais, ele perguntou a um dos ministros, que ficou até o fim: “Por que você não me avisou?” Aí este ministro disse: “Não podia avisar, se avisasse imediatamente minha cabeça e o meu corpo se separariam. Estava com medo, se estou vivo agora, é porque eu não disse nada”. Por isto dizem que ao tomar o poder por três anos, mesmo os sábios viram idiotas, esse é o ditado. Três anos depois, mesmo o sábio é um idiota. Os poderes têm esse perigo.
A educação precisa apontar, saber, quais são essas coisas com que temos que nos cuidar.
Na verdade, quanto ao escalão de cima, os empresários e presidentes, em apenas três dias3, todos os funcionários ficam sabendo de suas qualidades como líderes. Apesar dos funcionários não serem tão inteligentes quanto os líderes, mas digamos que a firma tenha duas mil pessoas como força de trabalho, então tem quatro mil olhos olhando uma só pessoa. E o presidente para conhecer todos os funcionários mesmo três anos não bastam, porque tem dois olhos apenas, para ver duas mil pessoas, não dá. Leva mais que três anos. Em todo caso, todo mundo quer o poder, mas sabendo destes tipos de perigos deve se acautelar para poder levar tudo a cabo com sucesso.
Para evitar isto são preciso três coisas: Primeiro — É preciso ter um tipo de mestre para ensinar as regras universais, em outras palavras, a verdade, o modo de funcionamento do mundo. Nesse livro, por exemplo, Steven Covey, analisa detalhadamente a vida daqueles que tiveram sucesso na história, desde o século XVI até atualmente, no século XX. Como eles obtiveram esse sucesso todo e não o perderam mais. Descobriu este autor certas regras universais, válidas para todos, que são nada mais nada menos que seguir as regras da Lei Universal, a Verdade. Técnicas de especialistas, técnicas de arquiteto e de cada profissão, como vender mais ou melhorar a fabricação etc., isso tudo pode ser estudado na faculdade, mas o que ninguém pode ensinar ao presidente ou ao empresário é sua personalidade bem elevada de líder, sua cultura. A Harvard Business School, da universidade de Harvard, é conhecida por educar este tipo de pessoas, empresários ou presidentes. E o que eles ensinam com essas aulas durante tantos anos? Eles não ensinam nada daquelas coisas de especialidade, contabilidade, administração, jamais. O que ensinam é filosofia, religião, história, artes, só estas coisas. Isto é, a elevação cultural adequada para presidente, eles estudam com muitos professores de várias especialidades, para melhorar sua qualidade de persona. Porque o que nós estamos guardando dentro de nós, tanto consciente quanto inconscientemente, acaba sendo o resultado de nossa personalidade, nós chamamos isso de “cheiro de cada pessoa”. O médico tem cheiro de médico, a enfermeira de enfermeira, peixeiro também tem cheiro, mas advogado também tem cheiro de advogado, com aquele jeito de falar, profissionais de todas as especialidades acabam tendo seu tipo de perfume, ou cheiro. Porque o que está dentro da pessoa acaba aparecendo, especialmente em situações extremas. Quando está tudo bem a pessoa parece normal mas quando entra em crise a pessoa acaba mostrando como realmente é, sempre vem isso, porque as coisas mudam constantemente. Nesse momento crítico, não é o seu conhecimento de especialista que segura a crise, mas o que segura isso, às vezes, é a personalidade da pessoa. Podemos imaginar certos momentos de pânico, que ocorrem com grandes mudanças, quer dizer, quando não sabemos mais o que fazer. Aconteceu um terremoto no Japão, todo mundo ficou como bobo, não sabia como reagir. Nessa situação que tem mudanças súbitas, como soldados que entram em pânico, fica todo mundo bobo. O maior inimigo dos soldados era o medo, para enfrentar isto tinham que ir ao campo de guerra e tomavam drogas para agüentar o medo da morte. Nestes momentos são necessários aqueles líderes, que não se abalam tanto com estas mudanças repentinas, com suas personalidades cultivadas.
Assim o que essas regras universais ensinam, aquilo que não muda no ser humano, isto é necessário aprender e praticar, quer dizer, ler muitos livros, alguns livros de história prática. Histórias, muitas histórias, porque, como alguém disse,  “a história do mundo é a filosofia que foi experimentada e validada pela experimentação”, aquela que deu certo na prática e que se encontra aprovada. Vendo estas histórias do que deu certo ou não, tanto no ocidente quanto no oriente, ficam evidenciadas certas regras que podemos descobrir peneirando estes vários casos de aparecimento e desaparecimento. No ocidente tem aqueles imperadores ou reis do tipo de Nero ou Calígula. Esse nome é infame, e se dissermos para alguém, “É, você parece Calígula”, não é provável que a pessoa fique muito contente! Na China e no Japão também houveram este tipo de imperadores extravagantes. E a história continua, se repete, sempre. Até Mao Tse Tung, constatamos que no começo estava muito bem, cuidava bem de seus soldados, até o momento da grande marcha. Mas, mais para o fim, quantas pessoas morreram por causa dele. Isto porque ele ficou demais no poder. Stalin também, não somente liquidou inimigos mas também russos, soviéticos. Hitler, tinha todos os poderes, mas na história deixou um nome sujo. Bom, neste livro não se menciona somente grandes estadistas da história mundial, mas também empresários conhecidos, que fizeram grandes trabalhos. Tem que ter um mestre que ensine estas regras.
Se encontrar com um mestre, não necessariamente um religioso, um mestre espiritual. Porque às vezes falando muito em religião, aparecem falsos mestres. E verdades falsas. Descobrir quem é verdadeiro e quem é falso, pode ser difícil tarefa, porque aparentam grandes virtudes, grandiosamente, falando bem e bonito, e tudo mais, existem muitos fanáticos por religião, pode ser perigoso. Para encontrar um mestre os imperadores chineses pagariam altos preços, mas os mestres geralmente não vinham, então o que faziam os imperadores, eles peregrinavam por todos os lados, subindo a montanha para meditar nos mosteiros lá em cima. Os imperadores faziam isto, porque convidando os mestres, estes jamais desciam, tinham sua dignidade. Com dinheiro não vinham, apenas mostrando sinceridade, que realmente desejavam aprender. Convidavam até duas vezes, três vezes, antes de conseguir. Esta relação mestre-discípulo não é desenhada para agradar um ao outro mutuamente. É uma coisa dura, às vezes séria, se não tem mestre pode ser até um livro que mude sua vida inteiramente.
Em primeiro lugar um mestre e em segundo, uma pessoa, como um ministro, que possa falar a verdade para nós sem medo, porque imperador é como dragão, tem aquele poder total, de matar e de deixar viver, dependendo da sua vontade, e o dragão dizem que tem uma parte da garganta mole, onde a escama cresce ao contrário de outras partes, e quem tocar este ponto, essa parte, o dragão mata imediatamente. Mesmo velhos amigos, de confiança, não tem jeito, se tocar neste ponto ele mata. O imperador tem estas coisas. O imperador também é gente, tem aquelas emoções de alegria, tristeza, raiva e tudo mais. Para falar a verdade tem que escolher o momento certo, tem que ter muito cuidado, senão muitos podem morrer.
Quando ficam nesta posição de poder, como disse antes, durante três anos, primeiro ele se cuida, mas depois descamba, acostumado com o poder, acaba perdendo a vergonha, adora ouvir coisas doces, elogios maravilhosos, precisa ter cuidado, começar a evitar e fugir dos aduladores e bajuladores, pois aí começa todo o perigo. Quando somos jovens, até vinte anos, começando a estudar, até trinta ou quarenta, temos amigos com um futuro comum, sonhos a realizar, então prestamos atenção às ações boas de amigos, e pontos fracos não vemos tanto. Com isto conseguimos nos realizar. Mas depois disto, lá pelos quarenta, já está tudo mais consolidado, nossos lugares e posições dentro da sociedade mais estabelecidos e temos nossas responsabilidades, neste momento, precisamos realmente começar a exercer uma auto-crítica, precisamos de um amigo que possa nos dizer a verdade, tanto no bem quanto no mal, principalmente um tipo de crítica verdadeira e não nos cercarmos de fofoqueiros. Às vezes tendo poderes pode ficar apegado com isto, e não se deseja mais sair, “Ainda não, ainda estou muito bem, estou me sentindo jovem”. Geralmente políticos com sessenta ou setenta anos ainda trabalham bem, com muita responsabilidade e energia, com a cabeça funcionando, não envelhece, mas mesmo assim, depois de certa idade nossa cabeça fica fraca, quer dizer, esclerosada, sem querer isto acontece. Para evitar isso tem que fazer curso de estética oriental. Como podemos viver mais longamente, ou rejuvenescer, com a cabeça funcionando normalmente e o resto também. E depois ficando mais velho quarenta, sessenta anos, depois de sessenta anos para cima, necessitamos de um amigo de confiança, que possa falar livremente sem papas na língua, que não dependa de status rico ou pobre, que tenha título ou não, um amigo de verdade com quem possamos abrir o coração, desapegado, esse tipo de pessoa.
Terceiro, funcionários, que mesmo com medo possam criticar seus superiores. Estes três tipos de pessoas: Mestres, amigos ou funcionários que possam falar direto. E também o presidente precisa de amigos, porque esta posição de poder, apesar das regalias, é muito solitária. Tem que ter força suficiente para ficar só. Às vezes as pessoas não suportam ficar só. Mas solitário no sentido de você não poder falar tudo que pensa, se falar tudo que acha, acaba num desastre. Tem que segurar certas coisas, o que pode falar ou não.
Não podemos ficar cegos com poderes, rodeados dos chamados “yes man”, qualquer coisa eles aprovam e dizem, “sim, pois sim”, “sim senhor”.
Para evitar isto temos que cultivar os chamados três amigos do coração: O primeiro é o tipo jornalista, o segundo o religioso, e o terceiro é o médico. Por que o tipo jornalista é colocado como sendo o primeiro tipo de amigo do coração? Os jornalistas saem a campo e sempre colhem novidades, notícias, o que está acontecendo no mundo atual, na sociedade. E, principalmente, eles conhecem tanto o lado das aparências, quanto o que está por trás dela, a verdadeira mente das pessoas, para poder dar sua opinião correta. Naturalmente este tipo de amigos do coração têm limitações, porque, por exemplo, não agem, quem age somos nós. Nós estamos fazendo, eles só criticando, são incapazes de ação. Se são críticos, deveriam saber fazer, mas eles não sabem e não podem fazer, só criticar. Têm pois seus limites, mas de qualquer modo, têm visão certa e sem ilusões, porque o perigo é ouvir só um lado, sem saber o que está por trás das coisas e do que é dito, e acreditar somente no lado agradável. Não pode mais ouvir outro lado também. O jornalista desse modo pode juntar as duas informações fielmente. Este é o primeiro amigo, o segundo amigo, não digo religioso porque eu sou religioso. Os monges hoje em dia são meio quebrados, porque são todos casados. Aqui não é necessariamente religioso, mas algum mestre, como já disse, espiritual, no momento crítico pode mostrar maneira correta de agir. Porque naquele momento todo mundo quer fugir, escapar e passar a responsabilidade para outro. O trabalho do imperador no Oriente na verdade é não fazer nada, este é seu único trabalho. Já ouvimos falar da espada do imperador, a espada que se mesmo um fio de cabelo bater em sua lâmina, decepa, quer dizer, algumas facas não cortam sequer casca de tomate, nem papel, mas essa espada do imperador, no que tocar, corta. Mas essa espada não pode sair da bainha, porque é o símbolo da paz. Se ele a precisa tirar da bainha, significa que o inimigo está perto, quer dizer, ele já está perdido. Ele senta como uma montanha, não precisa fazer nada. Esse é seu único trabalho, tem que ter muita paciência. O imperador japonês se tornou muito respeitado, e o povo gostava dele independente de tudo, tudo. Uma vez ele estava lá vendo marchas, desfiles militares, quase o dia inteiro de pé, estava nevando, o dedo do pé ficou geladinho. Em pé o dia inteiro, da manhã à tarde. Ele foi embora, e onde ele estava de pé, a marca do sapato se imprimiu exatamente, quer dizer, ele não se mexeu sequer um centímetro, quem tem força para isto? Eu não, mesmo sendo monge, tendo que agüentar aquele retiro de meditação, uma semana sentado, muitas horas de meditação diárias, mas ficar de pé, sem mexer nem um pouco, só apresentando aquela marca do sapato e nada mais, isto é incrível.
Tem aspectos secundários também, que são em número de dois: Primeiro, tem que escolher ministros bons, isso é seu trabalho. Mesmo que ele possa ter aquela grande capacidade, sozinho não pode fazer nada. Nisso o grande Napoleão errou, por isso não foi até o fim, e tudo caiu por terra. Tem que escolher ministros, se escolher com confiança, com aquela técnica, tem que dar força e autoridade a quem foi escolhido, mas se o ministro por acaso errar, a responsabilidade é totalmente do imperador. Não pode deixar a responsabilidade com o ministro ou com quem tenha sido escolhido, generais, etc. Por que? Porque foi ele quem escolheu. Quem escolheu toma responsabilidade dos outros que operam. Portanto, “Escolher é tomar a responsabilidade”. Por isto o imperador deixa os ministros trabalharem livremente, tudo livremente. Claro que tem certos controles.
Eu estava comentando sobre este imperador da dinastia Ching, que construiu aquela grande muralha, e cujo filho abriu caminho para a falência. Isso realmente aconteceu. Aqui no Brasil também, o mesmo ocorreu com a terceira geração de imigrantes. A primeira geração de imigrantes tinham muitas histórias, sobre isso sabemos. Trabalhavam tanto, tanto, de madrugada até noite, olhando as estrelas no céu cedo cada manhã e voltando vendo as estrelas da noite. O trabalho era duro. Às vezes vendiam até bananas. E conseguiram formar grandes empresas. Tudo bem, agora quanto à segunda geração, que veio junto dele ainda era criança, então trabalhava junto, vendo pai trabalhando e sofrendo, duro, ele viu isso, e assim ele consegue segurar pelo menos o que o pai tinha levantado. E geralmente no final da primeira geração, o pai havia conseguido aquele império. Aí o filho continua, mas a terceira geração, os netos, com a família já rica, tudo grande, tendo já babá e tudo mais. Ele não precisava fazer mais nada. Este neto, crescendo, toma o império, mas às vezes tem problemas, às vezes acaba com esse império. Este foi o caso com Napoleão, que não tinha filhos. Com Júlio César também. Ele foi grande, incrível, mas no final morreu daquele jeito, ‘Et tu Brute?’, com Brutus. Na primeira geração está tudo ótimo, na segunda geração segura, e com a terceira já acaba. Como podemos manter isto anos e anos, centenas de anos. Por isto surgiram estes estudos aplicados, como, “A Arte da Guerra”. Nós aprendemos de certo modo com muitos erros. Repetimos os erros, ou erros de outros, como anti-professor. Isso a história mostra, quem conseguiu levantar algo, por que e como caiu. Às vezes até o próprio imperador precisa matar sua filha, no último momento, porque estão chegando os inimigos até a porta do palácio, então ele dizia, matando a filha: “Na próxima vida, se houver, você nunca nasça como princesa, filha do imperador.” Nós somos muito afortunados por tanto, temos que agradecer. Senão, puxa! Às vezes filhos e filhas de milionários dão grandes problemas.
O terceiro amigo, jornalista é o primeiro, o segundo é o mestre espiritual, o terceiro amigo do coração é o bom médico4. O médico que pode avisar como está seu estado. Presidentes americanos, ao entrar na Casa Branca, comentavam: “Agora estou entrando na câmara da solidão.” A Casa Branca é a câmara da solidão. Apesar deles terem um staff completo e perfeito. O bom médico, quando você toma cargos influentes, pode avisar quanto tempo você pode agüentar ali. Porque o trabalho geralmente é duro, principalmente quando se é convidado por aquelas empresas que estão decadentes, para levantá-las. Tem que resolver muitas coisas, problemas que herdamos, precisa fazer mudanças radicais, geralmente chegam inimigos, críticas, se está certo tudo bem, quando não está certo, você é culpado de tudo, tem que receber todas as críticas. Tem que ir preparando para Harakiri, suicídio ritual. Com todo aquele stress, pressões, quanto tempo meu coração, minha saúde, agüenta isto5? O médico avisa. Principalmente e muito importante, é quando o presidente ou empresário tem que se retirar, o momento exato da retirada e a subsequente entrega para jovens, sucessores jovens, ou mesmo outro tipo de continuador, mas que segure bem. O momento certo da passagem do poder. Isso é muito difícil, porque temos apegos por posição e cargos, influência, a influência é muito doce, é o veneno mais doce que existe. Queremos ficar mais tempo: “Não, eu sou jovem ainda”.?Quando começa a ficar esclerosado, aquela pessoa que é tão boa e eficiente como advogado, por exemplo, às vezes resolvia casos difíceis, pegava casos de quem não tinha meios para pagar o caso, mas isto não importava, fazia com aquela técnica e sentimento de justiça. Conseguia ganhar, vencer e liberar o inocente. Mas depois de certa idade, repentinamente, a pessoa muda, a personalidade muda. Muita gente às vezes pode se dar conta. A esposa ou a família passa a não mais reconhecer a pessoa, e perguntam, “Quem é você?” A pessoa pode começar a ficar agressivo, às vezes pão duro, apegado com o dinheiro. E amanhã pode morrer e não sabe disto ainda. O médico de coração pode avisar seu estado: “Está assim, assado”. Tem que ouvir, preparando o momento de saída para resolver o último momento como aquela grande ópera lírica, e terminar com aquela cortina descendo no palco. As pessoas dizem ao término, “Que pena você não poder ter ficado”, mas tem que sair, na hora certa6. Porque às vezes está ocupando lugar de outros. Aí na hora de sair, a pessoa crê que está bem, mas o fato é que a pessoa está ocupando e atrapalhando muito os outros e acaba com seus sucessores.
Bem, existem nove tipos de virtudes7, que o imperador tem que possuir no exercício do poder. Sempre lembrando disto, cultivando-o, nove tipos de virtudes, méritos. Porque o imperador chinês é como o filho do céu. Deus manda ele aqui, como Seu Filho, para governar. Deus não desce até aqui, permanece lá longe, manda somente Seu Filho. O imperador é o Filho de Deus, portanto ele tem que ter todos os méritos, nove méritos. O número nove é simbólico, quer dizer virtudes completas, méritos completos. Começa com o amor por seu povo e por aí vai. Se esquece isso, como presidente ou líder não pode sobreviver, e aí vem a revolução, ou mudança de cargo. Os chineses de certo modo aceitam este processo de revolução. Quando outras raças prevaleciam por acaso na China, como resultado de guerras e conquistas, como quando da invasão dos manchús e dos mongóis, a raça dominante mudava totalmente. Mas às vezes os chineses aceitavam esta situação, porque tendo perdido, eles criam que não tinham mais méritos, merecendo pois passar por isto, outras raças vinham com novas forças e estavam completas, ou acontece uma revolução popular, como com os comunistas. Com os japoneses é diferente, é transmitido por gerações de imperadores, houve algumas brigas no meio desta transmissão, e foram divididas em duas linhas, mas hoje não sei, creio que já houveram 40 gerações desde o começo da dinastia.
Dez méritos, e aqui para escolher os ministros, existe um método para escolher os chamados seis tipos de ministros corretos. Mas comecemos antes por suas antíteses, quer dizer, os seis tipos possíveis de ministros maus e prejudiciais, para em seguida examinarmos os bons, por contraste.
Primeiro tipo de ministro prejudicial e daninho8: Ele está ocupando uma posição importante e naturalmente recebendo salários altíssimos. Mas não faz por onde e seu trabalho não é bom. Ele tem posição mas não faz as coisas seriamente. Mas está muito preocupado com o rumo da política, com a tendência das pessoas. E dependendo de situações, em dado momento, muda de posição e acompanha com a tendência que prevalece, esquecendo seu dever para com um bom governo. A França passou por momentos muito difíceis, ano passado, com muito desemprego, mas as pessoas em altos escalões queriam manter seus empregos, ganhando bem, ficavam na posição apesar de estarem já incapazes e esclerosados para tal.
Segundo, aquele que eu já mencionei, ligado com o imperador chinês. Para seu chefe tem muita lábia, fala bem, muito bem, maravilhoso. Secretamente ele pesquisa o que o seu chefe gosta. E secretamente lhe dá isto, então o chefe fica maravilhado. O chefe fica muito agradado, contente, mas depois ele começa a fazer coisas ruins, por trás, tendo como base seus presentes, e não se importa com isto. Esse é o segundo.
O terceiro, ele tem, de certo modo, idéias terríveis. Mas aparentemente é muito tímido, muito sério, fala muito bem, mas é insinuante, no fundo do coração ele tem aquele ódio, aquela raiva, ciúme daquele homem bom, sábio que tem certas habilidades, tem ciúme, invejas9. Ele toma uma posição influente e com isto chama alguns seus conhecidos, ou sua família, dizendo: “Vamos empregar este rapaz, que ele é muito bom”, elogia sua indicação. Mas ele está cheio de defeitos, e não deixa que sejam conhecidos estes defeitos, esconde, apenas elogia melífluamente aqueles empregados cheios de defeitos, mas que lhe interessam. Naturalmente existem outras pessoas boas, mas ele fala mal destes, todo mundo tem de certo modo um defeito, descobrindo isto ele fala mal dos pequenos defeitos, e os pontos bons ou positivos, ele oculta. Assim o chefe fica cego, com vistas e ouvidos tampados, não ouve e com isto o perigo aumenta e a ameaça cresce. Esse é o terceiro.
Quarto: Ele tem um conhecimento incrível, pode esconder, pode falar, defender seu erro. Com sua artística autodefesa, falando maravilhosamente, todo mundo acaba acreditando que é verdade. Então ele tem a habilidade de falar maravilhosamente, pode até transformar o branco no preto. E fala muito bem para conseguir que suas opiniões sejam aceitas. Mas dentro do estabelecimento, da casa, da grande família, as brigas começam entre os que trabalham, entre os irmãos, imperceptivelmente com suas manobras maquiavélicas. Principalmente quando tem grande queda, quando o chefão, morre naquele momento, entre irmãos, família, começa a briga. Esta briga é terrível. Então os japoneses tem um ditado, ‘os sábios, mesmo quando têm sucesso nunca deixam campo de arroz bonito para seus descendentes’, quer dizer, o arroz era praticamente como moeda corrente para calcular a riqueza. Não deixa campo de arroz bonito, grande, para seus filhos. Porque isto acaba com seus filhos. Mas tem que ensinar aquele método ou educação, para ele poder seguir sozinho, aquela coisa maravilhosa com a educação. As riquezas às vezes estragam seus próprios filhos. Precisa de muito cuidado para entregar ao sucessor. Naturalmente temos aqueles sentimentos de amor para com nossos filhos, que são tão chegados. Esses filhos, se não tiverem a capacidade do pai, se entregarmos aqueles poderes, posições, tudo estará perdido para esta empresa, não pode ser entregue tão fácil. Nesse caso pode dar bens materiais, terreno, casa, ações e tudo mais, mas não posição e influência. Posição tem que ser com pessoa escolhida, pode ser próprio filho, mas se tiver aquela capacidade, talento.
Nesse momento tem que considerar tudo muito friamente. Aqui fala o “amigo da onça”, sócios que trabalharam duro, “e conseguimos tudo juntos, que bom”, mas nesse momento a derrota já é iminente. Por que? Entre os sócios começam brigas, todos querendo levar vantagem à custa dos outros. Cada qual quer levar os resultados do mercado todos para si. Isso não é bom. A lei mais secreta e certa da vida diz que nossa vitória não pode ser de ordem completa, cem por cento, como diz o livro “A Arte da Guerra”. A vitória de cem por cento não é a vitória completa. Sessenta por cento apenas, é a vitória completa. Por que isso? Se ganhar sessenta por cento, tendo ganho, ele não provoca grande desespero nos inimigos, de ficarem sem nada, evitando que os inimigos lutem renhidamente contra a vitória total. Se for cem por cento, vitória total, eles ficam com ódio, raiva, medos e estudando a história das guerras mundiais, podemos constatar isto, é com isto que a maioria das guerras começa, quando a pessoa julga que ficou sem nada em comparação com aquele que ganhou. Até com nome de religião começam guerras, dá para ver. A guerra não termina mais, a vingança continua, constantemente. Mesmo o filho de Davi, Salomão, sendo considerado um grande rei, mesmo ele cometeu um erro, por isto caiu. Não tinha um grande mestre que pudesse lhe aconselhar em relação ao futuro. Isso tudo é história, sabedoria. Por que a Inglaterra conseguiu aquele império? A França também. Eles tem muitas histórias que ensinam estas técnicas, incríveis, parece que neste ponto não existe realmente nem oriente nem ocidente, no fundo é a mesma coisa. Os grandes romanos, por que eles caíram? Problemas internos, o luxo interno corrompeu a moral. Aqui estamos abordando os ministros maus. Ele tentam evitar que a atenção recaia sobre outros ministros, então começa a espalhar fofocas, e a esconder os pontos bons dos demais e a falar mal das coisas boas dos concorrentes. Tem muitas técnicas para isso, inteligentes, maquiavélicas.
Quinto, ele tem poderes ilimitados para mudar muitas coisas, e fazer seu próprio grupo dentro da empresa, e até pode “torcer as idéias” do Imperador ou do presidente a seu favor, ele já é como porta voz, já fala como se fosse o imperador com plenos poderes. Por que o filho do Imperador que construiu a grande muralha perdeu tudo? Porque ele tinha um ministro deste tipo, que começou a crescer e jogar uns contra os outros, entre os ministros. Ele tinha inimigos, então o que fazia, parece mentira, mas um dia ele ofereceu um veado ao imperador:
“Imperador, Majestade, isso aí é um cavalo.”
“Ah não, isso não é cavalo, isto é um veado.”
“Não, isto é um cavalo.”
“Estás brincando??!”
“Não, não estou brincando, se quiserdes confirmar, podes perguntar para todo mundo.”
Aí, todos foram chamados.
“O que você acha? Isto é um veado ou um cavalo?”
Alguns diziam cavalo, outros diziam veado.
Este ministro mau eliminou então todos aqueles que diziam a verdade, isto é, que era um veado, e, eliminando todos que diziam a verdade e que consequentemente lhe poderiam ameaçar a posição, tomou o poder no governo.
Ministros corretos10, agora falemos um pouco dos ministros considerados corretos. Em primeiro lugar, ainda não houve sinais de mudanças, mas ele percebeu pequenos indicativos, se continuar desse jeito pode acontecer alguma coisa, prevê, tem pressentimento com experiência e conhecimento. De manhã o que você vê? Se a roseira tiver um broto vermelho, isto quer dizer que vai ter flor, porque nós sabemos com um pequeno sinal o que vai acontecer. Os pescadores sabem onde podem pescar, com suas experiências de vida. Assim ministros com pequenos sinais prevêem claramente o que pode acontecer, existe ou não perigo para a firma, e é necessário prevenir antes que os desastres sobrevenham, portanto o trabalho dele ninguém percebe, ninguém vê, mas a presença dele é fundamental e assim ele sempre protege, sendo por isto um ministro sagrado. Este tipo de pessoa, mesmo com muito dinheiro não se pode contratar, porque geralmente ele não vem por dinheiro mas sim por causa da personalidade do chefe, sua cultura, vêm porque eles propriamente não cobiçam, mas querem realizar aquele sonho daquele senhor que é capaz de conceber tais projetos, vêm só por isso, não por causa de dinheiro ou posição, este é o primeiro tipo de ministro sagrado.
Segundo tipo de ministro sagrado: Seus pontos de vista não são extremados. Sempre corretos, ele sabe muito bem o que é o caminho certo e ajuda ao imperador sempre com respeito, mesmo para os próprios funcionários, ele sempre mantém aquela atitude correta e mostrando projetos maravilhosos, com isto pode acrescentar aos pontos bons e positivos do imperador e cobrir, protegendo seus pontos fracos. Este é o segundo.
Terceiro, ele trabalha bem e sempre acha algumas pessoas boas e talentosas, para colocar em posições chaves, e as oferece ao imperador para ajudar, porque um país, uma firma, levanta e cai com uma pessoa, acaba, com uma pessoa, então achar uma pessoa boa é muito difícil. Geralmente este tipo de pessoa chamada boa, tem um jeito muito especial, às vezes não se adapta com o grupo, tipo um outsider, então como se pode tratar com estas pessoas vitais, pois assim como um especialista de diamantes ou minerais sabe cortar a pedra, o especialista em recursos humanos pode ver dentro desta pessoa as suas ocultas e necessárias qualidades, e ilustrando com histórias para não repetir erro de antigos, pode lapidar esta pessoa para o trabalho, que só ele pode realizar.
Quarto, mais ou menos a mesma coisa, mas ele sabe se o projeto vai dar certo, e previne contra todos os pontos fracos e perigos, para evitar problemas, para o projeto dar certo. Porque todas as coisas têm causas e efeitos e assim ele pode ser mesmo aparentemente mau e impopular, mas com seu jeito pode mudar as coisas até ficarem boas, este tipo de força não é qualquer um que pode ter.
Quinto, ele sabe seus limites e respeita seu espaço, sendo que às vezes ele recusa prêmios ou salários altos, passando as coisas boas para os outros, e ele mesmo permanece muito frugal.
Sexto, quando o país ou a firma encontra um problema, uma confusão, vendo claramente do que se trata, ele pode dizer o que é necessário para desintrincar a situação. Critica o chefe diretamente, porque todo mundo quer escapar da responsabilidade, todos sabem que  se falar três vezes e não for ouvido, naturalmente se vai embora. Este é o ministro direto, fala direto e o imperador tem que ter a capacidade de ouvir o que é duro, às vezes pode se sentir como se estivesse mastigando areia, e quanto mais velho for o funcionário, quanto mais a posição for alta na hierarquia, mais necessário se faz, pois é natural nas pessoas não conseguir ouvir críticas, às vezes mesmo tem um começo bom, mas depois acostumando com esta posição de poderes, dá favores quando está contente, e não quando a pessoa merece, e não quer mais dividir o poder com outros.
E quando vêm problemas, como pode fazer para resolver essas coisas? Se a pessoa estiver preocupada demais com o problema antes do mesmo acontecer, não estará preparada para receber o que veio do futuro para agora, para cá. Não adianta se preocupar. Não se preocupar em encontrar adversidades é muito importante.
Agora outra emoção é o susto. Susto aconteceu e você não estava preparado, então, não pode nem levantar, fica em estado de choque.

Pergunta de ouvinte: “Mestre Tokuda, eu fico pensando se na energia da constituição de uma empresa, nós já plantamos a semente de nossa própria queda. Eu fico pensando se a questão empresarial não seria escolher o tipo de morte que aquela empresa vai ter. Quer dizer, a morte já em vida. Eu acho até que um empresário tem que pensar na questão da eternidade da empresa.”

Monge Tokuda: “Inicialmente tanto posição, como títulos, são mutáveis, tudo está constantemente mudando. Quando ficamos fixos, congelados em uma posição, tudo termina mais rápido. Imaginando fantasiosamente que podemos permanecer para sempre com a empresa, querendo sempre continuar desse jeito, já denota um envelhecimento, quer dizer, está ficando esclerosada a situação desta empresa.”

Pergunta de ouvinte: “Então a meditação é essencial?”

Monge Tokuda: “Não necessariamente a meditação, como se faz no zen, de pernas cruzadas, agüentando aquela dor. Meditação mais no sentido de pensar de uma maneira positiva. Quando você pensa em meditar, tem que imaginar um certo momento feliz, aquela coisa agradável, que você gosta mesmo, um projeto ou aquele momento e passagem feliz de sua vida. Isso produz certo tipo de hormônio dentro do cérebro, chama betano-adrenalina. A ciência provou isto. É o melhor remédio para a saúde, uma coisa criativa, ligada com a criatividade. O oposto disto é a adrenalina. Medo, raiva, stress, produz adrenalina. Esse hormônio é o pior veneno que existe no mundo. É muito mais prejudicial que o veneno de cobra venenosa. Naquele momento futilmente se entrega a emoções nocivas, se sente raiva, estresse, aí produz a adrenalina. Ou constantemente se a produz, quando se está sempre preocupado, estressado, aí constantemente se dá uma boa dose de veneno para seu próprio corpo. A meditação tomada nesse sentido, não é necessariamente meditar como no Budismo. Apenas pensar-se numa forma pró-ativa, porque, como diz no livro de Steven Covey, nós temos certas forças em nossa mente, diferentes da do animal, nós podemos ver a nós mesmos, nos auto-reconhecer. Estamos no momento de medo, tremendo de medo de perder algo. Nós mesmos nos vemos assim. Em segundo temos a força da imaginação. Isso a mente dos animais não tem. Com a imaginação, mesmo que estivermos presos no campo de concentração, podemos viajar para longe, nos refugiando do mundo inteiro na imaginação e lembrarmos de coisas prazeirosas e com essa dificuldade que ora está atravessamos, aprendemos, nada pode prender a pessoa àquele momento, já que temos a força da imaginação. Mais tarde este psiquiatra que esteve no campo de concentração explicou isto na universidade para seus estudantes, explicando o que aconteceu. O que passou com a tortura e como superou isto. Com isso ele mudava até o meio ambiente, não ficando limitado ao sofrimento de um campo de concentração nazista, podia mudar até outras pessoas e até os guardas da prisão vinham a ele para se aconselhar. Na verdade temos esta força mental, no fundo sabemos o que é certo e o que é errado. Quando se age tem que ver se esta ação está correta, de acordo com essa verdade universal ou não, não ficando preso nem à prisão física, mas podendo transcender este sofrimento, sempre livres. Se estamos fazendo isto, estamos tranqüilos. Recebendo críticas, não entramos em conflito, estamos conscientes.
Steven Covey diz em seu livro “Os sete hábitos de pessoas muito eficazes”: ‘Existem três maneiras através das quais procuramos transferir a responsabilidade de nossas vidas para outros, para o exterior:
Em primeiro lugar, pela hereditariedade: “Ah, porque isso é uma coisa hereditária, não adianta. Minha família, meu pai, todos já nasceram irritadiços e nervosos. Isso não tem jeito, eu sou assim mesmo, eu já recebi esta característica no sangue. Nossa família é toda assim.” Deixa a responsabilidade para terceiros. Quer dizer, nesse caso sendo a família.
Em segundo lugar, pela psicologia. “Eu fui criado de tal maneira. Minha mãe fazia tudo, não deixava que eu criasse força de vontade, fazia tudo por mim, agora tenho todas estas dificuldades devido aos meus pais. Eu não posso fazer nada. Sou um fraco. Não posso fazer nada. Sofro de falta de amor, carência.” Ele diz isto para escapar de sua responsabilidade, eu sou assim, carente psicologicamente. ‘Eu sou assim por causa desta minha educação’. Passa a responsabilidade para a família.
Tem mais uma, a terceira, que é a responsabilidade do ambiente em que ele foi criado. Não tem jeito porque o país é assim. O presidente é assim, a economia é instável, existe corrupção em todos os níveis, então nada posso fazer. Desse jeito a responsabilidade é de outros.
A palavra responsabilidade vem de responsas, em latim. A pessoa só pode realizar tendo responsabilidade, que é habilidade. Não é idéias de outros, é como se responde às coisas face à realidade, ao que está acontecendo.’
Steven Covey disse que se pode mudar. Responsabilidade não vem de fora. Você muda interiormente sua psique, como aquele prisioneiro do campo de concentração, que mesmo com todas as condições de um sofrimento extremo, sabia manter sua liberdade interna. Exatamente isso é  que o budismo diz, o zen, e a psicologia budista diz. Tem que mudar a consciência e a inconsciência. Agora aqui vou fazer propaganda nossa! A psicologia budista diz que o campo de consciência você pode mudar, entendendo a razão das coisas. Mas a inconsciência poderíamos atingi-la também, para uma mudança radical? Como poderíamos fazer isto? Podemos sim, através da meditação. Com o tempo, mergulhando na meditação, entrando na sétima e oitavas consciências, dentro da  inconsciência. A oitava consciência se chama Alaya Vijnana, Vijnana quer dizer consciência, e Alaya quer dizer depósito, a consciência do depósito, como em Hima-Alaya, (depósito de neve), e aqui reside a sabedoria. Este processo tem muitas etapas, é muito interessante. E por favor, eu não ganhei nada com esta propaganda.”

Ouvinte: “Mestre Tokuda, eu acho então que a gente tinha que estar lembrando no zazen da importância da respiração como uma forma de intervir na descarga de adrenalina, não é?”

“Monge Tokuda: “Então por que depois da meditação se sente tão bem!? Aliviado! Exatamente por isso. A consciência fica repousada.”

Ouvinte: “Não precisa meditar todo dia, precisa respirar todo dia, respirar bem todo o dia, sempre não é?”

Monge Tokuda: “É, exatamente. Nessa meditação você não precisa pensar complicado. Na vida sempre se encontra obstáculos. Então é bom ir para a janela, olhando para aquele horizonte, belo horizonte, e simplesmente inspirar três vezes. E terminando estas três inspirações, não pensa mais naquelas coisas que estavam preocupando. E depois de três vezes muda de pensamento, pensa em coisas positivas, ou com sentimentos positivos. Isto não significa escapar dos problemas. Estamos colocando aquele problema na gaveta e dizendo, ‘Resolvo isto depois’. Colocando na gaveta, no sentido de fazer a inconsciência funcionar. Então a inconsciência começa a trabalhar. Aí precisa tempo. Vai pensando em outras coisas. E durante o sono, a inconsciência trabalha. O que acontece então? Não pensando, despreocupado, deixando as coisas, sem medo, e entramos para praticar meditação durante o retiro. Sem preocupar, sem pensar nada sobre estes assuntos. Terminado o retiro, voltamos. Antes de terminado o retiro, encontraremos a resposta maravilhosa, que pode resolver todos os problemas. Nunca teve este tipo de experiência? Sempre tem respostas. Portanto a meditação é um processo de pensamento positivo. Isso é incrível. Parece incrível, parece, mas mesmo numa situação impossível é possível encontrar a resposta positiva. Isso é a maravilha de todos estes pensamentos positivos. Pode, sempre pode. Acreditando nisto, pratiquemo-lo. Podem vir respostas, sempre vêm, sempre vêm. Isso é a meditação.”

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