As Coisas como Elas São

Pergunta: Você disse “ver as coisas como elas são” e também ter a experiência daqui-lo que “é como é”. Se você diz “ver”, significa que ainda utilizamos os sentidos. É uma experiência que passa pelos cinco sentidos, ou se tratará de uma experiência puramente mental? Eu não chego a compreender isto.

Resposta: Eu disse que estas cinco pré-consciências ligados aos órgãos da percepção não se tornam sabedoria a menos que a oitava consciência tenha sido já modificada. Em geral não cremos naquilo que vemos e não cremos naquilo que vemos de relance. Como eu já disse, nada vemos senão aquilo que queremos ver.

Um exemplo: a compra do terreno de Pirenópolis: Para o quem trabalha com as pedras típicas de Pirenópolis, este terreno nada representa senão pedras que podem ser utilizadas e vendidas para construções. Um outro, tendo descoberto as orquídeas, nada mais faz senão procurar por orquídeas (foram achadas mais de doze espécies diferentes). Quanto a mim, eu nada vi senão as cachoeiras, as grandes e as pequenas, e minha única preocupação era: “quantas cachoeiras havia neste terreno?” Enfim, uma outra pessoa procuraria saber se aquele terreno seria propício à prática da agricultura. Ninguém vê corretamente.

É dito que não podemos ver esta “coisa como ela é” enquanto a consciência de Alaya não esteja modificada. A complexidade é a interdependência. Nós somos esta interdependência e no interior do espírito, as cinco consciências, mais a sexta, a sétima e a oitava estão elas mesmas num jogo de interdependência. É muito importante estudar esta sétima consciência (Manas), estudar o Dharma e praticar o zazen. Eu o digo e direi ainda numerosas vezes, para que vocês o compreendam.