Amor e Compaixão

Pergunta: Eu tenho uma pergunta quanto às “quatro práticas do Bodhisattva” (“Bodaisatta-shishobo”). Neste capítulo, Mestre Dogen fala da compaixão e do amor e diz que o amor vem de um coração cheio de compaixão.

Resposta: De fato, são as palavras de amor que vêm de um espírito de compaixão.

Pergunta: Minha pergunta era: “Quanto ao amor, você disse que o amor estava ligado com o Buda Maitreya”.

Resposta: “Eu disse isto? Não me lembro de tê-lo feito”.

Pergunta: “Foi numa observação passageira, nada mais”.

Resposta: “No Budismo não se utiliza a palavra “amor”. Em sânscrito, “amor” é traduzido por tanha, que quer dizer “sede de amor”. Se Agape encarna o amor espiritual e Eros o amor carnal, no budismo a noção de amor se aproxima mais do lado de “Eros”, a saber, o aspecto erótico do amor, tanha, que é considerado como uma sede desesperada, uma coisa desejada e sobre a qual não temos controle. A imagem é aquela de lamber o mel sobre uma faca afiada: quanto mais se quer, mais se corta a língua. Esta é a visão budista do amor. Esse tipo de amor espiritual (agape) talvez seja a compaixão.

De qualquer maneira, não utilizamos a palavra “amor”.

Segundo o que se acredita, quando temos necessidade de ajuda, pede-se ao Buda Amitabha ou ao Bodhisattva Kannon. No caso de uma senhora que teve um aborto e sofria com isso, ela foi ao templo e rezou para o Bodhisattva Jizo, pois este Bodhisattva se ocupava especificamente das crianças. No caso de aborto, muitas senhoras vêm rezar para este Bodhisattva. Essas crianças mortas não têm pai nem mãe. Eles queriam construir uma torre de pedra. Quando a torre ficava pronta, o diabo chegava e a destruía e era necessário recomeçá-la. Neste caso, o Bodhisattva Jizo chegava sempre na forma de um monge. Ele usava o okesa e com seu okesa ele cobria as crianças e o diabo não as podia ver. Esta também é a força do grande kesa. Existe de fato um Bodhisattva que fez um voto de vir ajudar para cada tipo de sofrimento.

A imagem de Maitreya é a seguinte: O Buda Maitreya já está lá, ele começou a praticar junto com o Buda Gautama, mas ele entrou no nirvana antes do Buda. Ele está, hoje em dia, no paraíso de Tusita situado no trigésimo-terceiro céu (tosotsu-ten), ele se prepara para vir quando o Buda Shakyamuni se for, não exatamente quando, mas isto acontecerá em milhares de anos.

Na verdade, isto não faz sentido para nós. Trata-se de filosofias ou idéias que vêem de outros países não-budistas, como da Índia depois das destruições, de acontecimentos terríveis, este tipo de fé, um pouco aparentada ao apocalipse, surgiu.